Projeto Cacto

Projeto Ecologia e recuperação de Uebelmannia buiningii Donald (Cactaceae)

A recuperação de populações de plantas ameaçadas é uma das estratégias importantes para garantir a conservação da biodiversidade. Porém, a recuperação bem-sucedida de uma espécie na natureza depende principalmente do conhecimento dos requisitos de seu habitat, permitindo a identificação de locais adequados à restauração, e dos principais aspectos genéticos, demográficos e ecológicos que afetam a vulnerabilidade a processos de extinção.

Como projeto modelo, essa iniciativa consiste na elaboração de uma proposta de plano de recuperação, baseado em estudos ecológicos mais robustos para Uebelmannia buiningii Donald (Cactaceae), um cacto relacionado na lista vermelha da IUCN e endêmico da Serra Negra da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais.

Desafios

Pesquisas desenvolvidas demonstram que os distúrbios antrópicos afetam negativamente populações de espécies de plantas endêmicas. Espécies que habitam áreas submetidas a esses distúrbios têm vida mais curta, com uma maior proporção de mudas e menores níveis de crescimento clonal do que em locais com distúrbios naturais. Assim, os esforços de recuperação de plantas frequentemente precisam incluir a restauração de habitat degradado para garantir a persistência a longo prazo de espécies endêmicas em risco de extinção. Dessa forma, é fundamental o conhecimento mais amplo das principais características ou requisitos do habitat relacionados às espécies alvo. Nesse contexto, uma avaliação mais completa das características locais, como a estrutura da vegetação, a composição das espécies de plantas e a cobertura do solo, devem ser avaliadas antes do início da recuperação no ambiente.

Oportunidades

Geração de conhecimento sobre os efeitos das interações ecológicas sobre o estabelecimento de plântulas de Uebelmannia buiningii; geração de conhecimento sobre as tendências demográficas de U. buiningii ao longo de sua área de distribuição na Serra Negra; fornecer evidências científicas para a restauração dos habitats submetidos a distúrbios; criação de um protocolo para o desenvolvimento de um plano de recuperação de plantas ameaçadas do Cerrado; elaboração de uma proposta de plano de recuperação de U. buiningii.

Soluções

Espera-se que os trabalhos deste projeto resultem em publicações científicas em periódicos especializados, que podem dar visibilidade aos estudos ecológicos feitos em áreas de Cerrado. Assim, os resultados irão contribuir diretamente para a implementação de uma das ações constantes no PAN Cactáceas (Plano de Ação Nacional para Conservação das Cactáceas) relacionada com essa espécie alvo. Além disso, planos de recuperação de plantas ameaçadas também consistem em outra política pública a ser adotada pelo Estado Brasileiro em respostas às metas estabelecidas pela Estratégia Global para Conservação de Plantas – GSPC (sigla em inglês) e pela Convenção da Diversidade Biológica – CDB. De acordo com a meta 7 da GSPC, 75% das espécies ameaçadas devem estar conservadas in situ. Assim, espera-se que esse projeto possa apresentar o primeiro plano para recuperação de plantas ameaçadas do Cerrado no Brasil, contribuindo também para divulgar um protocolo para recuperação de plantas do Cerrado e incentivar colaboradores, financiadores de projetos e pesquisadores a investir na recuperação de espécies ameaçadas e do Cerrado.

Lista de material

Barbante, sacos, trenas, fita métrica, placas de alumínio, fitas de identificação, luvas, barras de ferro e GPS.

Ouvidoria – Críticas, reclamações sobre o projeto, serão organizadas pela Ouvidoria Instituto Jurumi, por meio de instruções no site da Organização e através do e-mail ouvidoria@institutojurumi.org.br. Saiba mais

Esse projeto é uma realização do Instituto Jurumi, com apoio financeiro do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos – CEPF, em parceria com a Embrapa, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e apoio do Parque Estadual da Serra Negra.

Fotografia: Suelma Ribeiro / Acervo Instituto Jurumi